Nesta época de campanha eleitoral no rádio e na TV ouvimos falar de várias ideologias e sistemas de governo. É capitalismo pra lá, socialismo pra cá. Um candidato chama o outro de comunista, e o outro chama o um de neoliberal, como se fossem palavrões pesados. Mas e a Igreja Católica, como se coloca no meio disso tudo? Em primeiro lugar, deve ficar claro que a Igreja evita se envolver diretamente nos governos políticos e nos momentos de eleição, pois sabe da condição laical da nossa sociedade, em que o estado e a religião atuam separados. Mas a Igreja, obviamente, tem sua visão política e social e nós nem sempre sabemos que visão é essa e como a ela é manifestada. Por isso achei interessante colocar aqui no blog um texto que fala sobre isso. O texto não tem autoria, mas se baseia no Catecismo da Igreja Católica para refletir a posição da nossa amada Igreja perante a política e a organização social. Segue abaixo:É comum hoje a idéia de que o liberalismo e o socialismo são doutrinas completamente opostas entre si. Porém, tal idéia trata-se de um equívoco. O liberalismo e socialismo, embora tenham contradições em alguns pontos, são herdeiros de um mesmo relativismo filosófico que surge com força no final da Idade Média. Tal relativismo nega a existência de uma verdade absoluta que possa ser conhecida pelo ser humano.
Herança deste relativismo é a tese de que o Estado tudo deve permitir ao ser humano pensar, falar e fazer: se não há uma verdade objetiva em matéria de moral, então tudo é permitido. E aqui temos o liberalismo moral e o liberalismo econômico, que gerou tanta injustiça e miséria! Também é herança deste relativismo a tese de que tudo é permitido ao Estado - e aqui surge o todo-poderoso Estado socialista, que coletiviza a propriedade, os bens de produção e tolhe as liberdades individuais.
Tanto o liberalismo como o socialismo são incompatíveis com a doutrina social da Santa Igreja Católica Apostólica Romana. O liberalismo, por negar a existência de uma moral objetiva que pode ser conhecida pela razão e confirmada pela fé, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1954 a 1960. Crê a moral católica que o Estado tem a responsabilidade de, dentro dos justos limites, intervir no campo moral e econômico. Diz o Catecismo da Igreja Católica que "cabe ao Estado defender e promover o bem comum da sociedade civil, dos cidadãos e dos organismos intermediários" (n, 1910). Neste sentido, afirma o saudoso Papa João Paulo na fabulosa Encíclica Centesimus Annus (CA) que "a atividade econômica, sobretudo a da economia de mercado, não pode desenvolver-se num vazio institucional, jurídico e político (...) O Estado tem o dever de vigiar e conduzir a aplicação dos direitos humanos no setor econômico." (CA 48)
Também o socialismo é incompatível com a doutrina social católica, por atentar contra o direito natural à propriedade privada e as liberdades individuais, subvertendo a ordem social (Cat. 2403-2404; 2424-2425). O socialismo se apresentou no século XIX como solução para corrigir as injustiças do liberalismo. Porém, a experiência dos países socialistas mostra que tal expectativa não foi alcançada. Com efeito, a lei moral natural é condição para a ordem social, e qualquer sistema que atente contra esta lei - seja liberal ou socialista! - gerará para esta ordem péssimas consequências. Nesse sentido, escreveu o Papa João Paulo II, falando à respeito do socialismo, sobre "o mal de uma solução que, sob a aparência de uma inversão das posições dos pobres e ricos, redundava de fato em detrimento daqueles que se propunha ajudar." (CA 11) E acrescenta: "O remédio revelar-se-ia pior que a doença." (CA 11) E falando sobre o capitalismo selvagem, escreveu: "Na luta contra um tal sistema, não se veja, como modelo alternativo, o sistema socialista, que não passa de um capitalismo de estado, mas um sociedade do trabalho livre, da empresa e da participação." (CA 35)
O mencionado sistema relativista, presente tanto no liberalismo como no socialismo, é contraditório em si mesmo, pois por um lado afirma que não existe uma verdade absoluta; por outro, os que aderem à este pensamento, os que aderem à este pensamento combatem os que discordam de suas teses, tratando as suas ideologias como verdades absolutas! Esta é a chamada "ditadura do relativismo", que tem sido tantas vezes denunciada pelo Santo Padre Bento XVI. Por detrás deste relativismo moral, presente está a negação de Deus do ateísmo e do agnosticismo. Com efeito, como poderá haver uma lei moral natural à qual o ser humano e o Estado estão sujeitos, se na natureza não houver um Autor? Por isso escreveu o Papa João Paulo II: "A negação de Deus priva a pessoa do seu fundamento, e consequentemente induz a reorganizar a ordem social, prescindindo da dignidade e da responsabilidade da pessoa." (CA 13)
Negando a Deus, tanto o liberalismo quanto o socialismo nega também o homem em sua essência. Ensina-nos a doutrina social católica que o ser humano, criado à imagem de Deus (Cat. 356-357), é ao mesmo tempo individual e social. O liberalismo, ideologia individualista em si mesmo, nega o ser humano enquanto ser social, e por isso mesmo, dotado de deveres sociais. Já o socialismo nega o ser humano enquanto ser individual, e por isso mesmo, dotado de direitos individuais os quis o Estado não tem competência para privá-lo. Nesse sentido, afirma o saudoso Papa João Paulo II: "O erro fundamental do socialismo é de caráter antropológico. De fato, ele considera cada homem simplesmente como um elemento e uma molécula do organismo social, de tal modo que o bem do indivíduo aparece totalmente subordinado ao funcionamento do mecanismo econômico-social, enquanto, por outro lado, defende que esse mesmo bem se pode realizar prescindindo da livre opção, da sua única e exclusiva decisão responsável em face do bem ou do mal. O homem é reduzido a uma série de relações sociais, e desaparece o conceito de pessoa como sujeito autônomo de decisão moral, que constrói, através dessa decisão, o ordenamento social. Desta errada concepção da pessoa, deriva a distorção do direito, que define o âmbito do exercício da liberdade, bem como a oposição à propriedade privada. O homem, de fato, privado de algo que possa «dizer seu» e da possibilidade de ganhar com que viver por sua iniciativa, acaba por depender da máquina social e daqueles que a controlam, o que lhe torna muito mais difícil reconhecer a sua dignidade de pessoa e impede o caminho para a constituição de uma autêntica comunidade humana." (CA 13) Este negação do homem chega ao seu pior estado nas correntes mais avançadas do liberalismo e do socialismo que são favoráveis ao aborto, negando diretamente a dignidade intrínseca da vida humana (Cat., 2270-2275).
A doutrina social católica, oponde-se ao liberalismo e ao socialismo, defende o papel do Estado na proteção da Lei Divina e da dignidade intrínseca do ser humano e dos direitos que daí decorrem diretamente (o direito à vida, o direito à propriedade privada, o direito à educação, o direito à livre iniciativa, e assim por diante), bem como na promoção do bem comum e da solidariedade, principalmente em relação aos mais pobres necessitados. Os políticos católicos ocupam aqui um papel fundamental, nesta colaboração da Santa Igreja para que haja uma justa ordem social. Nesse sentido, escreveu o Papa João Paulo II: "Para animar cristãmente a ordem temporal, no sentido que se disse de servir a pessoa e a sociedade, os fiéis leigos não podem absolutamente abdicar da participação na política, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural." (Encíclica Christifideles Laici, de 1988)
Fonte: http://www.reinodavirgem.com.br/fe-e-politica/nemsocialista.html
Que Deus nos ilumine para escolher os melhores (ou menos piores!) candidatos para governar o nosso país!
POR PATRICK

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