
Estimados leitores, este mês quero responder uma pergunta, que é minha, mas que pode ser sua também: porque Setembro é o mês da Bíblia? Aproveito para falar também da diferença entre a bíblia católica e a bíblia evangélica.
Há 38 anos a Igreja do Brasil celebra no mês de setembro o Mês da Bíblia. A celebração teve sua origem na arquidiocese de Belo Horizonte, em 1971, e foi se espalhando para todo o Brasil. Porém, o motivo principal de celebrarmos a Bíblia neste mês é o aniversariante São Jerônimo (dia 30 de setembro), autor no Século IV da tradução latina da Bíblia, grande estudioso e apaixonado pela Sagrada escritura.
Bíblia é uma palavra grega que quer dizer "coleção de livros". Assim, a Bíblia Católica é uma coleção de livros declarados sagrados pelas autoridades da Igreja Católica. Essa declaração oficial demorou quatro séculos para ser concluída. Ao final, a Bíblia Católica foi oficializada com um total de 73 livros. Desses, 46 vêm do Antigo Testamento, ou seja, do judaísmo, e 27 são do Novo Testamento, isto é, foram escritos pelos Apóstolos no primeiro século da era cristã. A Igreja mantém os 46 livros do Antigo Testamento em sua Bíblia porque ela (a Igreja) vem do judaísmo e não nega suas origens. Ela seria incompreensível sem o Antigo Testamento e sem o judaísmo. Além disso, no Novo Testamento há 350 citações do Antigo Testamento, o que comprova a ligação intrínseca entre os dois "Testamentos". Um explica o outro.
A Bíblia Católica tem sete livros a mais do que a Bíblia Protestante. São eles: Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, 1 e 2 Macabeus, além de fragmentos dos livros de Ester 10,4-16 e de Daniel 3,24-20; 13-14. Isso acontece porque Martinho Lutero, por ocasião da reforma, rejeitou os livros judaicos provenientes da tradução grega chamada "dos setenta", uma tradução mais aberta aos não judeus, e optou pela tradução hebraica, de cunho nacionalista. Os autores do Novo Testamento, porém, optaram pela tradução grega e incluem os livros rejeitados por Lutero. Com efeito, todas as citações do Antigo Testamento presentes no Novo, vêm da tradução grega dos setenta.
Na Bíblia, Deus nos revela através de palavras e de acontecimentos intimamente entrelaçados, de tal sorte que as obras ajudam a manifestar e confirmar os ensinamentos e realidades significadas pelas palavras; e estas, por sua vez, proclamam as obras e elucidam o mistério nelas contido (cf. DV 2/162).
E Deus se serve de autores humanos, por Ele inspirados e de linguagem humana e até dos gêneros literários usados em cada época para nos manifestar a sua verdade. É o que São João Crisóstomo chamou de "Divina Condescendência". Deus desce até nós. Permanece perto de nós. A Bíblia, mais do que um livro, se poderia dizer que é uma carta, cheia de ternura de um pai que se comunica com seus filhos.
A Igreja, como nem poderia deixar de ser, "escuta religiosamente a Palavra de Deus, santamente a guarda e fielmente a expõe" (Ibid. 10/176). Ela tem consciência de que a Sagrada Escritura deve ser lida e interpretada naquele mesmo Espírito em que foi escrita. E consideramos importante nos lembrarmos de que o Espírito não só inspirou os autores sagrados para que escrevessem os livros, mas continua, com a sua Sabedoria e a sua luz a nos inspirar, para que essa Palavra gere vida, promova vidas e se torne ela mesma vida em cada pessoa, em nossas famílias e em nossas comunidades.
Assim, queridos irmãos e irmãs, através dessa Palavra que está perto de ti, em tua boca, em teu coração (Rm 10,8), poderemos entrar em sintonia perfeita conosco mesmo, com Deus e com os nossos irmãos e irmãs. Amém.
Pe. Valdemar Alves Pereira - SdC
Obs.: Artigo publicado no Informativo Efatá de Setembro de 2010.
Obs. 2: Pe. Valdemar é o querido sacerdote que acompanha o nosso grupo guanelliano Filhos da Providência e faz parte da congregação Servos da Caridade.

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